Dívida grega afeta resultados das seguradoras

Posted on 2/17/2012 by luis.costa@unitedphotopressworld.org


Metade das imparidades registadas no mercado português de seguros, está relacionada com a depreciação dos títulos de dívida pública grega, revelou a Associação Portuguesa de Seguradores (APS).

O total de imparidades em 2011 atingiu 528 milhões de euros. Nas contas apurados não foram incluídas as imparidades relacionadas com a dívida pública portuguesa, sendo que a indústria detinha, no final do ano, cerca de 5,5 mil milhões de euros nestes ativos (contra 6 mil milhões de euros em 2010). Este volume equivale a 10% da carteira total de investimentos no setor, que ascendia, em dezembro, a 55,3 mil milhões de euros, menos 10% em termos homólogos, avançou Seixas Vale, o presidente da APS, citado pela Lusa.

"A dívida pública portuguesa hoje em dia tem um risco considerável", disse o presidente da APS, considerando que as políticas de investimento dos operadores de seguros, tipicamente defensivas, ajudam a explicar "a exposição coletiva baixa".

A par da forte posição em dívida pública nacional, a indústria tem ainda 7,5 mil milhões de euros de dívida de entidades privadas portuguesas.

O segmento das obrigações é o que tem mais peso na carteira global do setor, 71%; seguido dos depósitos da banca, 10,7%; das unidades de participação em fundos de investimento e outros veículos, 8,6%; dos produtos estruturados, 4,7%; das ações, 2,5%; e dos imóveis, que representam 2% da carteira.

Seixas Vale disse que a desvalorização da carteira de investimentos do setor teve reflexos sobre os capitais próprios, que sofreram uma redução de 400 milhões de euros e se situavam no final de 2011, nos 3,5 mil milhões de euros.

A APS revela que o setor segurador nacional, extrapolando depois para a totalidade do mercado, fechou 2011 com lucros combinados de 43 milhões de euros, dez vezes menos que o valor apurado no ano anterior. Cerca de 80% dos operadores obtiveram resultados positivos em 2011.

Expectativa para 2012

O ano de 2012 "não vai ser muito diferente do de 2011. Vai ser igual ou pior", afirmou Seixas Vale, o presidente da APS. Frisou a difícil conjuntura do país. Mesmo assim, a indústria tem mantido o emprego num nível "estável".

Solvência

A margem de solvência do setor segurador português situava-se, no final do ano passado, nos 181%. Este indicador é relevante ao nível da confiança dos investidores e dos clientes desta indústria. Os lucros caíram para 43 milhões de euros.
 
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